Biblioteca Digital de Eventos Científicos da UFPR, III ENCONTRO DAS LICENCIATURAS REGIÃO SUL

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“Eu não consigo voltar aquilo que eu fui antes do PIBID”: experiências que marcaram ex-supervisoras do programa.
Gabriela Herz, Amarildo Inácio dos Santos, Gicele Maria Cervi

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Data: 12-11-2019 12:30  – 12:45
Última alteração: 31-10-2019

Resumo


O presente trabalho é resultado de uma pesquisa de iniciação científica realizada na cidade de Blumenau-SC que teve como participantes cinco ex-supervisoras de cinco subprojetos distintos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) regido pela Portaria Nº 096/2013. O PIBID, criado em 2007, é uma política pública educacional direcionada à formação inicial de professores. A Portaria Nº 096/2013, finalizada por edital em 2017, trazia como principal objetivo a iniciação à docência por meio da qual o licenciando era inserido em contextos escolares durante seu processo de formação. O licenciando podia conectar os saberes e conhecimentos adquiridos na universidade com o cotidiano escolar podendo pensar criticamente suas práxis a partir do campo. O referido Programa proporcionava uma troca de conhecimentos entre docentes universitários (coordenadores), professores das redes básicas (supervisores) e licenciandos (bolsistas ID) colocando em diálogo a universidade e a escola básica. De tal modo, a presente pesquisa se debruçou sobre a seguinte problemática: quais experiências atravessaram as ex-supervisoras do PIBID entrevistadas? Salientamos que experiência é aqui entendida na esteira de Larrosa (2002) que a descreve como aquilo que nos toca, nos passa, nos atravessa, e, de algum modo, nos modifica. A fim de responder à pergunta formulada, o objetivo traçado foi: mapear e analisar experiências vividas por ex-supervisoras do PIBID regido pela Portaria 096/2013. O aporte teórico utilizado nesta investigação compõe-se, principalmente pelos autores: Corazza (2001); Foucault (2007); Larrosa (2002); Silva (2005) e Varela e Alvarez-Uria (1992). A estratégia teórico-metodológica utilizada na pesquisa fundamenta-se na perspectiva pós-crítica de pesquisa em educação que preceitua que a metodologia é dada a priori, mas construída no processo de acordo com a necessidade do objeto e das perguntas formuladas (MEYER; PARAÍSO, 2014). As ferramentas de produção dos dados foram entrevistas não padronizadas (LAKATOS; MARCONI, 2003) realizadas com as cinco professoras ex-supervisoras do PIBID no período entre 2007 e 2017. Infere-se dos dados que a atuação das docentes na supervisão do PIBID lhes proporcionou diversas experiências que as tocaram e/ou marcaram, cada uma a sua maneira, tais como: as discussões e reflexões sobre escola e currículo; os desafios de ministrar algumas oficinas com o núcleo do qual faziam parte; a busca pelo conhecimento científico e por novas estratégias de trabalho. Essas experiências extrapolaram os objetivos iniciais do PIBID e da própria escola, que de acordo com Varela e Alvarez-Uria (1992) visa produzir sujeitos, que atendam às necessidades da sociedade no momento. Esta instituição de confinamento e disciplinamento atua sobre os corpos, moldando-os, treinando-os, docilizando-os e tornando-os úteis (FOUCAULT, 2007), o PIBID, contudo, colocou escola, professoras, licenciandos e currículos escolares em fuga instaurando movimento, conforme se infere das entrevistas das professoras participantes que enfatizaram que o PIBID proporcionou uma formação enriquecedora capaz de modificá-las como pessoa e produzir reflexos significativos em suas práticas pedagógicas. Experiências de tal modo significativas que, segundo uma das entrevistadas, não dá para voltar ao que era antes. É preciso continuar fazendo diferente.


Palavras-chave


Currículo; Escola; Experiência; PIBID.

Referências


CAPES. Edital MEC/CAPES/FNDE de 12 de dezembro de 2007. Seleção pública de propostas de projetos de iniciação à docência voltados ao Programa Institucional de Iniciação à Docência – PIBID. Brasília, 2007. Disponível em:<https://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/Edital_PIBID.pdf> Acesso em: 11 de setembro de 2018.

CAPES. Portaria nº 096 de 18 de julho de 2013. Brasília, 2013a. Disponível em:<http://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Portaria_096_18jul13_AprovaRegulamento PIBID. pdf> Acesso em: 10 de setembro de 2018.

CORAZZA, Sandra Mara. O que quer um currículo?: pesquisas pós-críticas em educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 20 ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista brasileira de educação, n. 19, p. 20-28, 2002.

PARAÍSO, Marlucy Alves. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação e currículo: trajetórias, pressupostos, procedimentos e estratégias analíticas. In: MEYER, Dagmar Estermann; PARAÍSO, Marlucy Alves. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, p. 25-44, 2014.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

VARELA, Julia; ALVAREZ-URIA, Fernando. A Maquinaria escolar. Teoria & Educação. São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992.

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