Biblioteca Digital de Eventos Científicos da UFPR, II Congresso de Saúde Coletiva da UFPR

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CASOS DE SÍFILIS GESTACIONAL NO DECORRER DE UMA DÉCADA: UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA
BÁRBARA CUSTÓDIO RODRIGUES DA SILVA, CAMILA DE ASSUNÇÃO MARTINS, JOAQUIM FERREIRA FERNANDES, PAULA PACHECO KATOPODIS

Última alteração: 02-10-2020

Resumo


INTRODUÇÃO: A sífilis é uma infecção sexualmente transmitida (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode ser prevenida com uso de preservativos. Pode ser transmitida da mãe para o feto, por via transplacentária, levando ao desenvolvimento da sífilis congênita na criança. Durante a gestação, essa doença pode ser bastante prejudicial, provocando sequelas aos recém-nascidos ou, até mesmo, levando ao aborto, óbito fetal e neonatal. Sendo assim, é necessário a realização de testes laboratoriais (treponêmicos e não treponêmicos) durante o pré-natal para identificação de uma possível infecção, já que a maioria das mulheres são assintomática. O tratamento deve ser realizado o mais rápido possível com a utilização de penicilina, sendo a dose definida pela fase da doença. Mesmo com a distribuição de preservativos femininos e masculinos pelas redes de saúde de forma gratuita, houve uma queda no uso da proteção, decorrente da ausência de campanhas de prevenção, aliadas ao advento da pílula anticoncepcional, elevando a um número de casos notificados. OBJETIVOS: Avaliar a distribuição dos casos de sífilis em gestantes, na população brasileira, segundo o ano de diagnóstico e a faixa etária da mãe, no período de 2009 a 2018. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo epidemiológico descritivo, acerca do número de casos confirmados de gestantes com sífilis segundo o ano do diagnóstico e a faixa etária. Foram extraídos dados do Departamento de Doenças Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Sistema Único de Saúde, entre os anos de 2009 e 2018. RESULTADOS: No período de 2009 a 2018, registraram-se 279.585 casos de gestantes com sífilis no Brasil, sendo que o aumento da quantidade de casos detectados, ao longo dos anos, foi crescente. Entretanto, a taxa de crescimento variou durante a década. Analisando os anos, observou-se que em 2011 foi o ano que mais apresentou aumento de casos detectados (37% a mais que em 2010), enquanto 2016 foi o com menor aumento (16,7% a mais que em 2015). Quanto a faixa etária, o maior número de diagnósticos foi entre as gestantes de 20 a 29 anos e 15 a 19 anos (145.762 e 70.141 casos, respectivamente). As grávidas de 10 a 14 anos e com 40 anos ou mais possuíram o menor número de casos (3.743 e 5.908, respectivamente). CONCLUSÃO: Os índices cada vez mais altos de IST’s são um impacto para a Saúde Coletiva, não apenas referente ao custo para saúde, mas também pelas consequências sociais. Para combater o aumento da incidência da sífilis nas gestantes, há uma necessidade da intensificação das ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Os profissionais da saúde devem promover a educação sexual, principalmente nos pacientes jovens, faixa etária com maior incidência da doença, que vinculam o uso da camisinha a redução do prazer, desprezando-a. As estratégias de promoção a saúde precisam focar na construção de conhecimento coletivo da gravidade da doença.

Palavras-chave


Sífilis; epidemiologia; gestantes