Biblioteca Digital de Eventos Científicos da UFPR, II Congresso de Saúde Coletiva da UFPR

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TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL DOMICILIAR: QUAL A VIA DE ACESSO E O TEMPO QUE É UTILIZADA?
PATRÍCIA MOREIRA CORDEIRO, EMILAINE FERREIRA DOS SANTOS, GIOVANNA PERUSSULO;, ISABELLA BAHIA DUTRA REZENDE, ESTELA IRACI RABITO, MARIA ELIANA MADALOZZO SCHIEFERDECKER

Última alteração: 02-10-2020

Resumo


Introdução: Quando há indicação de Terapia Nutricional Enteral Domiciliar, o tempo previsto de utilização da sonda determina a via de acesso a ser utilizada. Recomenda-se que as sondas nasogástrica e nasoentérica sejam utilizadas por um período de até 6 semanas, caso a utilização seja prolongada, as ostomias (gastrostomia ou jejunostomia) são a alternativa. Objetivo: Verificar o tempo médio de permanência, bem como a via de acesso utilizada e os desfechos clínicos. Método: Estudo retrospectivo, descritivo, por meio da análise de prontuários de usuários em uso da nutrição enteral em domicílio e acompanhados por nutricionistas em Unidades Básicas de Saúde (Curitiba- Paraná), durante os anos de 2006 a 2015. Dentre os dados coletados foram: idade, sexo, via de alimentação, tempo de uso da via, evolução para via oral, ocorrência de óbito. Aprovado pelos comitês de ética da Secretaria Municipal de Saúde (SMS/PMC) da Universidade Federal do Paraná (CEP/UFPR), sob o protocolo nº 49265615.1.0000.0102/2015. Resultados: Foram analisados 675 prontuários, destes 53,7% (n=362) eram do sexo masculino, a média de idade foi de 67 anos. Dentre os diagnósticos, 38% (n=261) possuíam doenças neurológicas (AVC, Alzheimer e Parkinson), 32% (n=215) câncer, 30% (n=199) outras doenças como cardíacas, reinais ou complicações cirúrgicas. Em relação a via de acesso utilizada, 36,7% (n=248) foi sonda nasogástrica, 34,3% (n=231) gastrostomia, 18,4% (n=124) sonda nasoentérica e 10,6% (n=72) jejunostomia. Sobre o tempo médio de permanência da TNED, usuários com gastrostomia ou jejunostomia utilizam por 15,5 e 15,1 meses respectivamente, seguido pela sonda nasogástrica 9,2 meses e pela sonda nasoentérica 8,7 meses. Dos desfechos ocorridos com está população, 22% (n=146) pacientes evoluíram para a dieta via oral, 50% (n=340) foram a óbito e 28%(n=189) continuaram com a terapia nutricional enteral em domicilio após o período estudado. O tempo médio de permanência entre todas as vias de acesso utilizado foi de 12,1 meses. Considerações Finais: O presente estudo demonstrou a grande utilização das sondas nasogástrica e nasoentérica por tempo maior que o recomendado de 6 semanas, preconizados pelas diretrizes internacionais e nacionais. Dentre os desfechos destaca-se o fato de metade da população observada terem evoluído a óbito. Esses dados podem indicar que a população em uso da terapia enteral nutricional domiciliar, são pacientes com quadros de saúde crônico e sugestivos para cuidados paliatativos, visto pelo tempo de permanência com a via de acesso e desfechos clínicos. Portanto, monitorar e gerenciar a evolução desses usuários é fundamental na atenção primária, para que se conheça a real situação bem como a eficiência das condutas realizadas.

Palavras-chave


Nutrição enteral; Visita domiciliar; Pacientes