Biblioteca Digital de Eventos Científicos da UFPR, II Congresso de Saúde Coletiva da UFPR

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INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E REAÇÕES ADVERSAS NA AUTOMEDICAÇÃO ENTRE ALUNOS DE CURSOS DE CIÊNCIAS DA SAÚDE.
LUIZ FERNANDO MANZAN, ALDO MATOS, FABÍOLA EUGÊNIO ARRABAÇA MORAES, JOÃO GABRIEL DA FREIRIA MAIA

Última alteração: 02-10-2020

Resumo


Introdução: A automedicação é definida como o uso sem prescrição, orientação ou acompanhamento do médico, dentista ou farmacêutico. Apesar de compor o autocuidado, se não for exercida com cautela, essa prática pode desencadear prejuízos como os potenciais efeitos adversos e as interações medicamentosas. Alguns grupos específicos, como os profissionais e os estudantes da área de Ciências da Saúde, estão mais expostos aos apelos para a automedicação e caracterizam grupos de interesse para estudos nessa temática. Objetivos: Avaliar a frequência de automedicação entre os estudantes dos cursos de Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, identificar as potenciais interações medicamentosas entre os fármacos usados na automedicação e destes com os de uso contínuo, e levantar seus as potenciais reações adversas. Materiais e métodos: Estudo transversal, descritivo e exploratório, com abordagem quantitativa. A amostra foi composta por 206 estudantes matriculados nas diferentes etapas dos cursos de Enfermagem (86 alunos), Farmácia (44 alunos) e Fisioterapia (76 alunos). Utilizou-se instrumento de coleta de dados desenvolvido pelos pesquisadores e já testado em estudo anterior com os alunos do curso de medicina. Livros de farmacologia foram as fontes de informação sobre interações medicamentosas e efeitos adversos. Resultados: A frequência de automedicação declarada foi 36.0% para estudantes de Enfermagem, 31.8% para estudantes de Farmácia e 39,5% entre estudantes de Fisioterapia. As classes de fármacos mais utilizadas pelos estudantes de todos os cursos foram os analgésicos/antitérmicos e os anti-inflamatórios não esteroides (AINES), que têm como potenciais reações adversas: diarreia, vômito, dor epigástrica, azia, plenitude gastrointestinal, além de sangramento de mucosa. Nenhuma potencial interação medicamentosa foi encontrada entre os fármacos usados na automedicação por estudantes dos cursos investigados. Considerando fármacos de uso contínuo nesse grupo de estudantes, identificou-se apenas uma interação entre AINE e diurético, que resulta na diminuição do efeito anti-hipertensivo do diurético. Conclusões: Os achados revelam risco de manifestação de efeitos adversos que se referem ao trato gastrointestinal, notadamente o sangramento de mucosa. Apesar da baixa ocorrência de interações medicamentosas, esse evento pode influenciar o sucesso da estratégia terapêutica. Mesmo em baixa ocorrência, esses dados sinalizam a necessidade de ações educativas e de vigilância sobre a automedicação voltadas para estudantes de cursos da área de Ciências da Saúde, visando maior segurança na farmacoterapia de intercorrências comuns.

Palavras-chave


Automedicação; Estudantes; Interações medicamentosas;