Biblioteca Digital de Eventos Científicos da UFPR, I Seminário Internacional sobre Violência, Tecnologias e Saúde no contexto do coronavírus (COVID-19)

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DESAFIOS DO SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19
José Claudio Garcia Lira Neto, Francisca Lucimar de Sousa Assunção Pereira, Ana Maria Barbosa, Aberlam da Silva

Última alteração: 15-09-2020

Resumo


INTRODUÇÃO: o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, configura-se como um elemento chave da Política Nacional de Atendimento às Urgências que, diariamente, precisa enfrentar desafios durante o atendimento pré-hospitalar. Na pandemia de COVID-19 esses desafios têm se intensificado e reforçado a necessidade de um olhar mais atento aos profissionais que trabalham diretamente na assistência aos pacientes críticos. No entanto, o que se tem notado, cada vez mais, é um ambiente marcado por relações de prejuízo aos trabalhadores de saúde, aumentando as demandas psicológicas, com efeitos deletérios à saúde e qualidade de vida desse trabalhador. OBJETIVO: relatar a experiência e os desafios enfrentados pelos profissionais técnicos de enfermagem e enfermeiros que tem trabalhado no SAMU durante a pandemia de COVID-19. MATERIAIS E MÉTODOS: trata-se de um relato de experiência sobre as dificuldades enfrentadas por técnicos de enfermagem e enfermeiros durante os atendimentos prestados pelo SAMU. As experiências relatadas correspondem aos atendimentos desenvolvidos pela equipe SAMU da cidade de São João dos Patos, interior do estado do Maranhão. A equipe é composta por 16 profissionais, dentre eles técnicos de enfermagem, condutores socorristas, enfermeiros e médicos. O registro das dificuldades foram realizados durante o último mês de atendimentos, correspondente ao período de 15 de julho à 15 de agosto de 2020. Todos os trabalhadores da equipe referida tem como regime de trabalho plantões de 24 horas. RESULTADOS: dentre os principais desafios observados pela equipe – após extensos diálogos sobre os atendimentos durante a pandemia de COVID-19, destacam-se: a falta de capacitação/qualificação para o atendimento de pessoas com COVID-19; a baixa infraestrutura disponível; a falta de máscaras N95/PFF2, gorros, aventais, óculos e demais equipamentos de proteção individuais e coletivo; a recusa de alguns profissionais no atendimento à pacientes críticos com suspeita diagnóstica de COVID-19 ou quadros patológicos indicativos da doença; falta de testes de COVID-19 para a equipe, entre outras condições. Ademais, ressalta-se que durante os dias de atendimento, denúncias foram protocoladas aos órgãos de controle e conselhos de classe, mas nenhuma atitude foi tomada no período. Até o momento, sete dos 16 membros da equipe haviam recebido diagnóstico para a COVID-19, o que tem causado inúmeros implicações de ordem mental e física aos trabalhadores desse serviço. CONSIDERAÇÕES FINAIS: após o período em destaque, é possível dizer que investimentos em equipamentos, educação e infraestrutura são urgentes para que o serviço continue. Ademais, assistência psicológica e redução da carga-horária também se fazem fundamentais para o incremento da qualidade de vida e trabalho desses profissionais.


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